terça-feira, 27 de setembro de 2011

Lobismulher



Ando com um olfato apuradíssimo. Como todas as outras coisas que não sei o motivo vou culpar os hormônios.
Aliás essa é a ordem do dia, na dúvida a culpa é da progesterona.
Dor de cabeça? Hormônios. Unha encravada? Hormônios. Piti absurdo e descabido? Hormônios. Gula desmedida? Hormônios...
Sabe o melhor? Neguinhos, e branquinhos também, aceitam sem pestanejar.
Oh gente ingênua, aiai.
Nessa nova condição ultra sônica de lobismulher um mundo novo se abre aos meus super poderes.
Ando pela rua alargando as narinas e identificando perfumes: Aquela senhora de verde tá com flower by Kenzo, a perua de oncinha carregou no Angel  e daí por diante.
Claro que passo por maus bocados em becos repletos de xixi e caminhões de lixo que cismam em parar bem na minha frente.
Mas o pior de tudo é o que o Pedro vem sofrendo.
Há algumas semanas cismei que ele tinha um bafo com cheiro de caixinha higiênica para gatos. Tanto fiz que o coitado teve que se consultar com um gastro pra acabar com a minha obsessão.
Agora to achando que ele tá com cheiro de peixe no ouvido. Tem dias que parece atum e em outros sardinha.
E ele esfregando as orelhas, passando cotonete e eu reclamando.
Devo ser uma namorada muito boa mesmo pra ele agüentar tudo isso.
Mas quer saber, namô? A CULPA É DOS HORMÔNIOS.


Vale a ressalva: Hoje é aniversário de 17 semanas da barriga e início do quinto mês.
Parabéns feijão!!!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

E o Brócolis?



Um belo dia comer deixa de ser um prazer, ou um desprazer no caso das dietas malucas, e vira uma obrigação.
Você descobre que tem um serzinho dentro de você que se alimenta exatamente do que escolhemos colocar na boca.
Então aqueles dias perdidos regados ao mix de coca-cola com cheetos viram uma doce lembrança distante.
É muito estranho pensar nesse grau de dependência.
O oxigênio que chega ao bebê é o que eu respiro, meu bem. Quando fico nervosa e libero adrenalina o bichinho sente também e seu micro coração acelera na hora. Quando resolvo correr na garagem, brincando com Ozzy, feijão se sacoleja todo aqui dentro. Quando deito o bebê se esparrama naquela piscina de líquido amniótico.
Reza a lenda, e os estudos sobre embriologia, que a essas alturas o pequeno já é capaz de ouvir e absorver sons, palavras e estímulos.
Abro um pequeno parênteses de comunicação mãe-bebê: Feijão, não se importe com aquela gritaria de hoje de manhã. Não, sua mãe não teve o dedo arrancado por um jacaré. Ele apenas bateu na quina da cama. Bem desagradável, você vai descobrir algum dia.
Aquele palavriado é feio, bebê. Mostra como sua mãe é uma mulher sem requinte e classe. Vou me esforçar mais, prometo.
Pois bem, todo esse prólogo foi apenas para explicitar minha revolta com a galera que separa os nutrientes dentro da barriga.
Sei que o feijão é a estrela maior, que tudo de melhor vai pro forninho e blábláblá.
Mas gente, precisa sobrar um tantinho pra mamãe aqui também.
Ando me sentindo cansada, prostrada e anêmica.

Feijão Cintra Deane,
Sei, bebê, que esse sobrenome tá meio esquisito mas a gente vai acabar se adaptando, tá?
Vamos ao que interessa, pequeno:
Se algum dia você inventar a modinha besta de não querer brócolis ou alface lembre-se que mamãe comeu fígado na sua gestação, tá?
Pior ainda, tomou injeções de ferro, sweet.
Se mete com essa doida tirânica aqui pra você ver só, ahaaaaaa.

Anotação mental: Aprender a não ser uma déspota com meu pimpolho. Urgentemente... Pra ontem.

domingo, 18 de setembro de 2011

Pega carona nessa cauda de cometa


Mamãe não é tonta, feijão. Nem velha.
Não vivi na época da pedra polida, juro que não.
Mas preciso te prevenir sobre certos artefatos que existiam nesse nosso mundo antes de você chegar.
Pior mesmo vai ser falar sobre os que não existiam.
Pasme bebê, mamãe e papai faziam trabalhos da escola antes do advento do Google. Pior feijão, não existia computador, muito menos internet.
A gente ia numa tal biblioteca e ficava pesquisando em vários livros, enciclopédias e dicionários até juntar o máximo de informações possível sobre determinado tema.
Fica a dica, pequeno: Internet é a oitava maravilha do mundo mas existe vida além dela.
Mamãe e papai vão fazer um esforço descomunal pra que você desenvolva interesse por diversos aspectos em inúmeras vertentes.
Ou seja, não se feche. Não se trave. Seja uma esponja e absorva o máximo que puder desse mundão que nos cerca.
Celular também é maravilhoso. Delícia estar próximo de todo mundo o tempo todo. Mas a gente cresceu sem ele. E sobrevivemos. Portanto não seja escravo dessas tecnologias todas. Use-as ao seu prazer e benefício mas não deixe que te dominem.
Vivíamos em um mundo pré digital, meu pimpolho. Nem sei se você consegue entender o que isso significa. Mas as músicas tocavam em outras mídias. Era um tal de LP e fita cassete. O som era péssimo mas a gente se divertia.
As fotos vinham de um filme que a gente colocava na máquina. Era um lance bem esquisito. Não sabíamos se as imagens tinham ficado boas até revelarmos. Imagine, pequeno, uma câmera sem visor? Pois bem, era assim.
O processo da revelação era outro drama. Demorado, complicado e perecível. Converse com vovô Ricardo sobre isso. Ele tinha um laboratório de revelação e vai te contar todos detalhes.
Os carros não tinham ar-condicionado e nem direção hidráulica. Muito menos vidros elétricos. Mas a gente viajava a valer. Talvez não fosse tão calor no rio de janeiro ou talvez nossa tolerância fosse maior.
Não tinha árvore de natal na lagoa, bebê. Aliás, quase não existia lagoa, filho.
Era bagunçada, suja e vivia inundada. Nada de parcão, quiosques gostosos ou pier maneiro no qual, prometo, teremos ótimos momentos nessa nossa vida juntinhos.
E os brinquedos? Feijão querido, não tinham tanta luz, brilho, motor, som e glamour quanto os seus vão ter, aposto. Mas mesmo assim cumpriam sua função muitíssimo bem. 
Andávamos de bicicleta, pulávamos no pogobol, corríamos nas brincadeiras de pique isso e pique aquilo. Nos reuníamos para altas partidas de jogo da vida ou banco imobiliário.
Bons tempos, bebê. 
Hoje em dia a brincadeira vai ser outra: Trocar fraldas, fazer papinha, dar banho e te ensinar sobre esse bando de bobagens que insistem em viver na minha cabeça.
Seja paciente com a mamãe, ela é meio descompensada.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Além daqui, dentro de mim



Ontem te vi pela primeira vez, feijão.
Você tava tão grande que desde então só consigo pensar no tanto de coisa que quero te ensinar, e te mostrar, por esse mundão afora.
Bebê, o primeiro detalhe relevante é em relação ao seu tamanho: Vc é uma bistequinha, com 14 centímetros e 150 gramas.
Seu coração tava no tuntun frenético a 148 bpm. Coisa linda...
Faltam só 5 meses pra nos vermos e tudo virar realidade.
Enquanto isso vou rascunhando nossa história com esse meu jeito torto, irônico, amalucado e feliz.
Vem comigo?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Não vejo flores em você, tantantan



Tô achando que meu útero migrou pros quadris e feijão tá se desenvolvendo por lá mesmo.
Não ria. É possível sim que eu tenha uma variação anatômica ainda não descoberta pela ciência, blabla whiskas sachê.
Barriga? Quase nada
Quadris? Odeiam calças jeans.
Ainda bem que a primavera se aproxima.
Venham, meus amigos vestidos soltinhos.
Amo vocês.
Ahaaa, pensou que fosse ser fácil assim?
Então avisa pra Dra. Piriquita, a obstetra, que meia elástica de compressão média no olho dos outros é refresco, mermão.
Como vou usar os vestidinhos  floridos munida das minhas sexys meias elásticas?
Feijão, feijão... espero que você lembre disso quando vier bater boca comigo daqui uns 15 anos.
Vou jogar na cara messssssmo, lalala!

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Meu lugar, meu lugar, meu lugar



Ônibus lotado, lotado mesmo.
Cheio daquela gente sofrida que acorda às 4 da manhã e migra sei lá de onde até o trabalho.
Imagino que já estejam na terceira ou quarta condução nesse sistema de transporte falido do Rio de Janeiro.
Sou uma pessoa muito ruim ao fomentar o ódio no meu coraçãozinho quando ninguém me oferece lugar?
Sei que a barriga quase não aparece, eu sei.
Por mais que eu estufe e fique alisando o feijão com ares maternais.
Sendo bem honesta só falto murmurar canções infantis pra chamar atenção das pessoas (louca carente mode on)
Mas me contenho, afinal ainda preciso de um pouco de compostura nessa vida.
Intimamente queria que o mundo adivinhasse que estou grávida e mereço os lugares especiais destinados a mim. Oh...
Ah, sempre quis esses lugares e que se dane o politicamente correto.
Pro inferno nesse papinho aí de cima do sofrimento blabla. Escrevi só pra fingir que sou legal e enxergo a sociedade de uma forma humanizada, ráááá!
Da próxima vez vou sair exibindo meu beta hcg positivo e quero ver negarem o meu assento preferencial.

sábado, 10 de setembro de 2011

Lá em Nairobi



Ah tá, a pessoa vai tentar atualizar o horário das postagens do blog. 
Lê Niterói onde está escrito Nairobi e ainda se emputece quando o namorado explica calmamente que o fuso seria de Brasília, nunca de Niterói.
Sempre achei Niterói um lugar meio renegado, coitados.
Pensando com carinho a capital do Quênia foi um erro acertado visto minha atual obsessão por vida selvagem. 
Fora devorar um antílope cru, super me identifico com leões. Eita bicho poderoso, elegante e que se orgulha da próprio preguiça. Eles sim sabem curtir a sesta depois do almoço.
Gosto das hienas também, mas prefiro não me alongar nos detalhes pois são bichos muito mal compreendidos.
Discovery channel é meu pastor e nada me faltará, repito como um mantra.
É, hoje o milkshake tá nervoso. Se pá misturaram água com gás e eu nem percebi.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Nomes para o feijão


Hoje o Milkshake veio gostoso, repleto de ovomaltine em flocos crocantes.
Tão bom ser uma pessoa plácida e plena em minhas faculdades mentais.
Me encho de orgulho e apreço por mim mesma e pelo pequeno serumano que se desenvolve aqui dentro.

Acordei pensando em nomes. Por que afinal de contas é uma parada séria, beirando a complexidade aguda.
Um nome mal escolhido pode gerar anos de zoação, bulling, dramas e culpas na mamãe ursa aqui.

Eu e namô tínhamos uma mini combinação previamente decidida. Algo simplório do tipo: Se for menina escolho eu e se for menino a responsa é sua.
Lógico que internamente temi por Clebervan ou Joniscleison.
Mas dei o voto de confiança.

Pessoalmente sempre gostei de nomes curtos, 2 sílabas e deu. Isso enxuga um pouco o nicho de possibilidades, aleluia irmãos.

Então despontou no fundo da mente a lembrança gostosa da vovó, mãe da mamãe. Aquela que ajudou a me criar, segurou minha mão quando meus pais se separaram e me levou na terapia pra curar a fossa de uma fedelha de 6 anos de idade. Essa mesma vovó que fritava pastel de banana com canela e me ensinou a jogar buraco com a maior destreza.
Seu nome curtinho e gostoso de falar me pareceu a escolha certa. Os vários possíveis apelidos fofos e o lindo significado de lutadora (afinal uma bichinha que cisma em vir ao mundo com a mãe se enchendo de anticoncepcionais é no mínimo uma guerreira).
Batemos o martelo em Luiza.

Se for menino namô tendeu pra Daniel. Confesso que o coração não palpitou, não mesmo. E continuo meio descrente dessa escolha. Mas como metade do material genético é dele não pude espernear, não muito.
Achei o significado meio uhmuhm: “Deus é meu juiz”
Oi? Quero não...
Não que eu não creia em Deus ou não O queira na vida do pimpolho.
Mas insisto pra que ele seja seu próprio juiz. Ou talvez até juiz dos outros, ganhando um mega salário de 20 mil dinheiros, uiui.

Conversamos, de leve, e ponderamos outros nomes.
Gostamos de Guilherme, apesar de trissílabo é bem simpático. Além de significar protetor... achei digno.



Oi feijão!
Fica tranquilo, bebê.
Seus nomes já estão escolhidos.
Agora só falta você abrir bem as perninhas na ultra e mostrar pro mundo qual dos dois você prefere.
Aproveitando o ensejo quero me desculpar por ter comido no outback no domingo. Tenho certeza que tanta fritura não te fez bem. Mas foi culpa do papai, a culpa quase sempre é do papai, bebê. Aprende isso...






terça-feira, 6 de setembro de 2011

Cortem a cabeça



Acho que só assim para acabar com essa sensação de que meus olhos vão saltar das órbitas e dar um rolé pelo mundo.
Não podia ser normal, né? Não podia ter enjoos, azias e sonolência.
Sem chance de desejar jaca com mostarda às 3 da matina.
Tem que sempre ser diferente, sintoma atípico my ass, faça- me o favor.
Não aguento mais essas malditas dores de cabeça, quero um advil ou uma neosaldina. Prontofalei...
Ah eh digo mais, alguém avisa que paracetamol é invenção fachada da indústria farmacêutica norte americana. NÃO FUNCIONA!!!
Aposto que eles colocam um microchip dentro daqueles comprimidos para controlarem nossa vida (a louca da teoria da conspiração detected)
Hoje o milkshake de hormônios veio frenético.
Tenho medo de mim...

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Positivo

A gente imagina o cenário perfeito: Maridinho, jogo de panelas de teflon, cama queen com lençois de percal 300 fios, conta bancária recheada e o emprego dos sonhos.
Faz vários planos de se alimentar bem, fazer exercícios, tomar ácido fólico com antecedência, guardar dindin pra comprar o enxoval em Miami (uiui)...
Mas nada acontece desse jeito.
Alguém avisa pra fada dos dentes que meus sonhos de infância não estão se realizando do jeito que pedi não.
Vamos combinar que vários dentinhos de leite embaixo do travesseiro durante anos a fio deveriam valer mais, hein?
Tudo começou com um inocente banho. Quem conhece sabe, a pessoa aqui é tarada por água e toma cerca de 14 banhos por dia.
Momento relax, cercada por diversos shampoos, condicionares, esfoliantes... aiai
Quando de repente, não mais que de repente, sinto meus seios diferentes.
Diferentes como? Ah, sei lá, simplesmente diferentes.
Coisa de mulher, saca o sexto sentido feminino? Segue a mesma pegada.
Ainda me recuperando do baque me choco ainda mais ao olhar no espelho e perceber um mapa cartográfico impresso em verde.
Confesso que meu primeiro pensando foi: Ferrou, meu silicone estourou (tá, tá a colocação dos peitos de plástico rende outro texto)
Segundo pensamento: Poooo, paguei os tubos nesse air bag. Tem que ficar bonito, caramba.
Perdi uns cinco minutos analisando aquelas veias esquisitas e ponderando sobre conjunções astrais e cármicas.
Leve depressão, anotação mental de procurar no Dr google sobre o assunto.
Tempinho depois noto a barriga diferente. Bem down there sinto uma dureza que nunca pertenceu ao meu panceps.
Imaginei logo uma proliferação de gases, luftal urgente, minha gente.
Melhor cortar o guaraná e parar com o feijão. Nada de melhorar.
Resumo da bagaça, pensei em tudo, menos no mais óbvio.
Blabla, o essencialéinvisívelaosolhos, blabla.
Vamos combinar que o tal do anticoncepcinal, como o próprio nome indica, é pra evitar a concepção, dan!
E eu tomava. Juro que tomava. De repente não tão bonitinho quanto deveria. Mas tomava, quase todos os dias, quase nos mesmos horários.
Niqui sonhei com gravidez. Poizé, parece que meu inconsciente resolveu dar um toque no meu consciente: Se liga, mermão!
O famigerado teste de farmácia, o temido xixi na espatulazinha e magicamente dois tracinhos aparecem. Oi? Comoassim?
Então tá, minha barriga tem recheio.
Segura a onda que a bagunça tá só começando!